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Promovendo a Liberdade de Expressão na África Austral

fogo posto canal de mocambiqueO MISA Moçambique condena, nos termos mais vigorosos, o bárbaro e cobarde ataque perpetrado contra as instalações do jornal Canal de Moçambique, na noite do último Domingo, dia 23 de Agosto de 2020.
Indivíduos desconhecidos arrombaram as instalações onde funciona o jornal, na Avenida Maguiguana, número 1041, na cidade de Maputo, e introduziram dois bidões de combustível de 20 litros cada, para depois atearem fogo, antes de abandonarem o local.


O fogo destruiu completamente a redacção, o arquivo, mobiliário e todo o equipamento utilizado para a produção do Canal de Moçambique, colocando em causa a produção da edição de 26 de Agosto do jornal.

Este ataque nunca deve ser visto de forma isolada do contexto de uma estratégia global, posta em marcha pelas forças mais retrógradas da nossa sociedade, para reverter o processo democrático em Moçambique, fazendo estremecer os pilares que o sustentam.

Na verdade, nunca pode haver democracia numa sociedade onde as instituições da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa são sistematicamente vítimas da intimidação e da ameaça, que é precisamente o objectivo que os autores deste ataque pretendem alcançar.
É notória a falta de sensibilidade e piedade dos criminosos que, para além do seu alvo, colocaram também em risco a vida e bens de cidadãos inocentes que habitam nas proximidades das instalações do Canal de Moçambique.

O MISA Moçambique lamenta profundamente que actos atentatórios contra a liberdade de expressão e contra a liberdade de imprensa, consagrados na Constituição da República como direitos fundamentais, aconteçam no país com regularidade, sem que os seus autores e promotores sejam responsabilizados.
A regularidade e impunidade com que estes actos têm estado a ocorrer podem sugerir que os criminosos tenham fortes ligações com sectores importantes na hierarquia do Estado.

O MISA Moçambique exige que as autoridades ajudem a esclarecer o mais breve possível este caso, responsabilizando exemplarmente os seus actores, e que tome as medidas que forem necessárias para que casos idênticos não voltem a acontecer.

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